Lhe percorria mais que o rosto, ia além do que se permite.
Procurava em si uma razão pro olhar dele:
- Será a minha roupa?
- Será que cortei demais o cabelo?
- Será que foi a mesa posta?
E nenhuma pergunta encontrava abrigo. As mesmas roupas, o cabelo bagunçado e um café forte com pão e queijo.
Três semanas sem se ver e a vontade de pular por cima da mesa pra ganhar mais um abraço era enorme. Mas aquele olhar era mais forte. Tentou perguntar e conseguiu apenas um sorriso e um despreocupado "Nada" como resposta.
Após intermináveis minutos finalmente pode matar sua fome de carinho e abraços. No dia seguinte ele foi atropelado por um caminhão.
[...]
Aquele olhar?
Era um presente recebido por ele: A dádiva de perceber quanto sua vida era maravilhosa, enquanto ainda a tinha.